quarta-feira, 3 de setembro de 2008


Não sei que sonho me não descança


Não sei que sonho me não descança

E me fez mal...

Mas eia! O harmônio a guiar a dança

Nesse quintal.
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E eu perco o fio ao que não existe

E oiço dançar,

Já não alheio, nem sequer triste,

Só de escutar.
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Quanta alegria onde os outros são

E dançam bem!

Dei-lhes de graça meu coração

E o que ele tem.
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Na noite calma o harmônio toca

Aquela dança,

E o que em mim sonha um momento evoca

Nova esperança.
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Nova esperança que há de cessar

Quando, já dia,

O harmônio eterno que há de acabar

Feche a alegria.
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Ah, ser os outros! Se eu o pudesse

Sem outros ser!

Enquanto o harmônio minha alma enchesse

De o não saber.


Fernando Pessoa

2 comentários:

pica disse...

quanta poesia, quanta dança, embala a alma desta "criança" :))))))

Unknown disse...

que da dança nunca se canse
pois sempre que volte
quero que comigo dance
e sua alegria solte
:)))))