
Não sei que sonho me não descança
Não sei que sonho me não descança
E me fez mal...
Mas eia! O harmônio a guiar a dança
Nesse quintal.
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E eu perco o fio ao que não existe
E oiço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
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Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
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Na noite calma o harmônio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança.
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Nova esperança que há de cessar
Quando, já dia,
O harmônio eterno que há de acabar
Feche a alegria.
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Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!
Enquanto o harmônio minha alma enchesse
De o não saber.
Fernando Pessoa